O Segredo do Pote de Mel

Na Clareira das Macieiras, as manhãs sempre começavam do mesmo jeito. O ursinho Oliver acordava devagar, bocejava um bocejo bem comprido e ia para a beira do rio molhar  o rosto.

Ele gostava de calmaria, de caminhos conhecidos e de colher amoras sem pressa.

Mas a calmaria durava pouco. Logo se ouvia um assobio alto, meio desajeitado, vindo do céu.

Bom dia, Oliver!

Pip vindo do céu para conversar com Oliver na clareira das macieiras.

Já viu o sol hoje?

Ele está mais amarelo que ontem! Olha o que eu achei!

Gritava Pip, o passarinho azul, pousando bem no nariz do urso.

Pip era uma caixinha de surpresas. Ele voava em ziguezague, conversava com as borboletas e mudava de assunto três vezes na mesma frase.

Oliver fingia que ficava bravo com aquela agitação toda, mas a verdade é que a clareira ficava muito sem graça quando Pip viajava para visitar os primos.

                                     O Pote Especial

O inverno estava se aproximando, a época em que Oliver precisava tirar sua longa soneca.

Para passar os meses frios com a barriga cheia, ele passou o verão inteiro guardando um mel muito especial: o Mel das Flores de Laranjeira, o mais doce e dourado de toda a floresta.

O mel ficava guardado em um pote de barro pesado, decorado com desenhos de folhas, que Oliver mantinha no alto de uma prateleira em sua caverna.

 Esse pote é o meu tesouro, Pip.

Se eu perder esse mel, vou passar o inverno inteiro roncando de fome, dizia Oliver, limpando o pote com todo o cuidado do mundo.

 Não se preocupe, amigão! Eu vou vigiar a caverna com meus olhos de águia!

Quer dizer… olhos de passarinho! Prometeu Pip, estufando o peito azul.

                                           O Grande Susto

O pote de mel quebrado caido da prteleira e oliver triste.

No último dia antes do início do inverno, um vento forte e gelado soprou pela floresta.

As folhas voavam para todos os lados.

Oliver estava do lado de fora, juntando os últimos gravetos para a lareira, quando ouviu um barulho estalado vindo de dentro da caverna. CRASH!

Ele correu para olhar.

Um galho pesado tinha entrado pela janela com o vento e derrubado a prateleira. O pote de barro estava no chão, quebrado em três pedaços. E o mel? Tinha escorregado todo para dentro de uma rachadura profunda no piso de pedra da caverna.

Oliver sentou-se no chão, desanimado. Suas patas eram grandes demais para alcançar o mel lá embaixo, e o frio já estava chegando.

 Meu mel… sumiu.

O inverno vai começar amanhã e eu não tenho mais tempo de procurar as colmeias. Elas já estão vazias,  lamentou o urso, com as orelhas caídas.

Pip voou até o ombro do amigo. Ele não começou a pular ou a falar rápido como sempre fazia. Ele apenas encostou sua cabecinha macia na bochecha de Oliver.

 Eu prometi que ia te ajudar a cuidar do inverno, não prometi? Disse Pip, baixinho.

Urso grande precisa de ajuda … não, de passarinho! Espera aqui.

Uma Solução Pequenininha

Pip percebeu que, embora as patas de Oliver fossem enormes, o tamanho dele, Pip, era perfeito para aquela situação. Ele voou até o riacho e pegou uma folha grande e firme de vitória-régia. Depois, voltou para a caverna e mergulhou na rachadura da pedra.

Lá dentro, no escuro, Pip usou o bico para encher a folha com o mel dourado, dobrando as bordinhas para não derramar. Com muito esforço, batendo as asas bem rápido, ele subia e colocava o mel em uma tigela limpa que Oliver segurava.

Ele fez isso uma, duas, dez, vinte vezes. Suas asinhas estavam cansadas e suas penas azuis ficaram todas lambuzadas de mel grudado, mas Pip não parava. Ele olhava para o amigo e continuava.

Só mais um pouquinho, Oliver! Os passarinhos não desistem! Dizia, rindo.

No final da tarde, a tigela estava cheia. Todo o mel tinha sido salvo.

                                       O Calor do Inverno

Oliver deitado na cama de folhas e pip no braco dele.

Oliver olhou para a tigela e depois para Pip, que tentava coçar a asa cheia de mel.

O urso deu um sorriso enorme, pegou um pano úmido e, com a pontinha das garras, limpou o passarinho com o maior cuidado do mundo, para não machucar uma pena sequer.

Naquela noite, o frio de verdade chegou e os flocos de neve começaram a cair.

Oliver deitou-se em sua cama de folhas, pronto para dormir até a primavera. Mas, antes de fechar os olhos, ele esticou o braço peludo.

Pip voou e pousou bem no meio daquele abraço quentinho de urso, onde o vento gelado não conseguia entrar.

 Obrigado, Pip. Você é o menor amigo que eu tenho, e tem o maior coração da floresta.

E assim, os dois pegaram no sono, sabendo que nenhuma estação fria é capaz de congelar o calor de quem tem um amigo de verdade por perto.

Moral da História

O tamanho de um amigo não importa, o que vale é o tamanho da sua lealdade. A amizade verdadeira encontra caminhos onde ninguém mais consegue enxergar.

Por quê?

Porque a força de uma amizade não está nos músculos ou no tamanho físico, mas na vontade de ajudar.

Às vezes, quem é pequeno pode fazer coisas gigantescas por nós, mostrando que os gestos de carinho e a disposição de estar presente nos momentos difíceis são os maiores tesouro que podemos receber.

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