O Pote da Gratidão

Na vila de Alegria do Vale, um lugar onde as ruas eram ladeadas por árvores floridas e o vento parecia sempre carregar perfume de bolo, morava Emma  uma garotinha de cabelos cacheados e olhos curiosos.

Emma  tinha muitos brinquedos, amigos para brincar e uma família amorosa… mas, mesmo assim, vivia sentindo que faltava alguma coisa.
Ah, se eu tivesse aquela boneca que vi na vitrine…

Suspirava.
Podia ter mais tempo de brincar no parquinho…

Reclamava em outro dia.
E assim, passava grande parte do tempo olhando para o que não tinha.

Sua avó, Dona Grace , morava numa casinha ao lado, com um jardim tão bonito que parecia ter saído de um conto de fadas.

Um dia, enquanto Emma estava sentada na escada com expressão aborrecida, Dona Grace  a chamou:

Vem cá, minha flor, quero te mostrar uma coisa.

As duas caminharam até o canteiro de rosas vermelhas.

Emma, você já reparou que as flores crescem mais bonitas quando a gente cuida e agradece por elas?

Perguntou a avó, acariciando uma pétala macia.

Emma franziu a testa.
Mas vovó… as flores não entendem o que a gente fala.

DonaGrace  sorriu, com aquele olhar que parecia saber mais do que qualquer livro.
Elas entendem com o coração.

E sabe o que mais entende com o coração?

A vida.

Quando a gente só reclama, ela fica murcha.

Mas, quando agradecemos, ela floresce.

A menina ficou pensativa, e a avó continuou:
Por isso, quero te dar isto aqui.

Das mãos enrugadinhas, Dona Grace tirou um pote de vidro limpo e transparente.

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Este é o seu Pote da Gratidão. Todo dia, você vai escrever ou desenhar algo pelo qual se sente grata e colocar aqui dentro.

Pode ser qualquer coisa — grande ou pequena. Mas tem que vir do coração.

Emma pegou o pote com cuidado. Ele parecia brilhar ao sol.
E se eu esquecer um dia? — perguntou.
Então, no dia seguinte, coloca dois papéis, respondeu a avó piscando.

No primeiro dia, Emma desenhou o sorriso da sua mãe.

No segundo, escreveu “meu cachorro Marshall  que me acorda com lambidas engraçadas”.

No terceiro, “o cheiro do bolo de chocolate da vovó”.

No início, ela tinha que se esforçar para lembrar de algo.

Mas, conforme os dias passavam, começou a notar coisas que antes passavam despercebidas: o pôr do sol alaranjado atrás da montanha, o amigo que lhe emprestou o lápis, o abraço quentinho do pai depois da escola.

O pote foi enchendo, e junto com ele, o coração de Emma.

Certo dia, na escola, uma amiga reclamou que sua lancheira não tinha sobremesa. Emma, que antes talvez reclamasse junto, abriu um sorriso e disse:
Mas você tem um sanduíche delicioso e ainda vamos brincar no recreio!

Isso já é motivo para agradecer.
A amiga a olhou surpresa e acabou sorrindo também.

Um mês depois, Emma chamou a avó no quintal.
Vovó, acho que meu pote não vai caber mais papel.

Dona Rosa se sentou na varanda e as duas abriram o pote juntas.

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Papéis coloridos voaram com o vento, espalhando-se pelo jardim como chuva de gratidão.

Cada bilhete lido era um pedacinho de amor: “ver as estrelas à noite”, “ouvir a chuva cair”, “ganhar um abraço de surpresa”.

Emma suspirou feliz.
É tanta coisa boa que nem sabia que tinha.

A avó a abraçou.
Viu só? Quando a gente percebe as coisas boas, descobre que é muito mais rico do que imaginava.

Naquela noite, Emma fez uma oração baixinha antes de dormir:
Obrigada, Deus, por tudo o que tenho… e até pelo que ainda vou ter.

E adormeceu com um sorriso, porque agora sabia que felicidade não é ter tudo, mas reconhecer tudo de bom que já se tem.

Moral da História

 

“A gratidão transforma o que temos em suficiente e o suficiente em abundância.”

“Agradeçam sempre por tudo, pois essa é a vontade de Deus.”

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