O Jardim das Virtudes

Havia, bem no centro do mundo, um jardim que ninguém podia ver com os olhos… mas que todas as crianças podiam sentir com o coração.
Era o Jardim das Virtudes.

Não havia portões, nem muros, nem caminhos de pedra.

Quem chegava até ele era levado pela força suave dos bons sentimentos.

Ali, cresciam flores muito especiais: a Flor da Paciência, que se abria devagarinho como quem ensina a esperar; o Lírio do Perdão, que espalhava um perfume que fazia as mágoas sumirem; a Rosa da Alegria, sempre aberta como um sorriso; a Margarida da Generosidade, com pétalas que lembravam mãos abertas; e a rara Estrela da Fé, que brilhava mesmo nas noites mais escuras.

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Cada flor tinha um brilho próprio e, de vez em quando, soltava pequenas sementes douradas que voavam pelo mundo, pousando nos corações de quem estivesse disposto a amar.

Certa noite, enquanto Lia dormia, um raio de luz entrou pela janela e transformou-se em um anjinho dourado. Ele sorriu para a menina e disse:
Lia, hoje você foi convidada para conhecer um lugar muito especial.

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Antes que pudesse responder, Lia sentiu-se leve como uma pluma.

Num instante, já estava caminhando por um campo macio e perfumado, onde cores que ela nunca havia visto dançavam no ar.
 Que lugar é esse?

Perguntou, encantada.

É o Jardim das Virtudes

Respondeu o anjinho.

Aqui, cada vez que uma criança pratica uma virtude, uma flor floresce mais forte.

Lia olhou em volta, maravilhada.

A Flor da Paciência parecia suspirar ao vento, o Lírio do Perdão espalhava um cheiro doce e aconchegante, a Rosa da Alegria quase pulava de felicidade, a Margarida da Generosidade tinha pétalas macias como abraço e a Estrela da Fé brilhava tanto que iluminava todo o jardim.

 Como posso ajudar este jardim a crescer?

Perguntou Lia, ansiosa.

O anjinho pousou uma pequena mão em seu ombro e explicou:
É simples.

Seja paciente com seus amigos, mesmo quando eles errarem.

Perdoe quem te magoar.

Partilhe o que tem.

Confie que Deus sempre cuida de você.

Cada ato de amor será como uma gota de água para nossas flores.

Enquanto andava, Lia percebeu que algumas flores estavam murchas e perguntou o porquê.
Elas precisam de gestos de amor para se fortalecerem — disse o anjinho.

Quando as pessoas são impacientes, guardam rancor, são egoístas ou perdem a fé, o jardim enfraquece.

Lia parou diante da Margarida da Generosidade, que estava quase fechada.

Tocou levemente uma de suas pétalas e prometeu:
 Vou partilhar mais do que tenho.

Nem que seja um sorriso, um brinquedo ou meu tempo para ouvir alguém.

A flor pareceu estremecer de alegria.

Antes de ir embora, o anjinho lhe entregou uma gotinha de luz.
Guarde-a no seu coração.

Sempre que fizer algo bom, essa luz se multiplicará e viajará até aqui para regar nossas flores.

De repente, Lia sentiu um calor suave no peito e, num piscar de olhos, estava de volta à sua cama.

O sol da manhã entrava pela janela, mas o perfume do jardim ainda parecia estar no ar.

A menina levantou decidida.

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No café da manhã, ajudou a mãe sem que ela pedisse.

Na escola, emprestou um lápis para um colega.

À tarde, perdoou a amiga que havia esquecido de convidá-la para brincar.

E, antes de dormir, fez uma oração de gratidão.

A cada gesto, sentia aquele calorzinho aumentar no peito.
Ela sabia, mesmo sem ver, que,  lá no Jardim das Virtudes, as flores estavam sorrindo para ela.

E assim, todos os dias, Lia regava o jardim com seus pequenos gestos de bondade, até que o perfume de paz começou a se espalhar pelo mundo, invisível… mas impossível de não sentir.

Moral da História

 

A cada gesto de amor, cultivamos um jardim invisível que transforma o mundo com perfume de paz.

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