A Lâmpada do Medo

O Medo

Na aldeia de Brumeluz, o nevoeiro nunca se dissipava.

As casas eram baixas e as janelas, sempre fechadas.

Os moradores acreditavam que o nevoeiro escondia criaturas sombrias chamadas Sombras-Vivas, que se alimentavam do medo.

Ninguém saía à noite.

Ninguém falava alto.

Ninguém sonhava demais.

Mas Ellie, uma menina de doze anos, sonhava.

Ela observava o nevoeiro todas as manhãs pela janela, imaginando o que havia além da colina.

Medo

Seu pai, um antigo mineiro, costumava contar histórias sobre o Sol, um astro que um dia brilhou sobre Brumeluz antes de as Sombras-Vivas chegarem.

Ellie acreditava nelas com todas as forças.

Certa tarde, enquanto ajudava o avô a arrumar o sótão, ela encontrou uma pequena lâmpada de vidro âmbar, coberta de poeira.

Gravado na base estava o símbolo de uma chama envolta por um círculo.

O avô empalideceu ao ver o objeto.

Essa é a Lâmpada do Medo, Ellie.

Pertenceu aos Guardiões da Luz.

Dizem que ela só acende quando alguém enfrenta o próprio medo de verdade.

Ellie sorriu.
Então eu quero ver se ela ainda funciona.

O avô balançou a cabeça.
Cuidado, menina.

A coragem não é o mesmo que imprudência.

Naquela noite, enquanto o vento gemia nas frestas da janela, Ellie decidiu sair.

Escondeu a lâmpada no bolso e caminhou até a colina.

O nevoeiro parecia respirar.

A cada passo, a escuridão ficava mais densa.

De repente, uma voz fria sussurrou:

Por que veio até aqui, pequena?

Ellie estremeceu.

Medo

Da névoa surgiu uma forma alta, feita de fumaça e olhos brancos.

Era uma Sombra-Viva.

Ela tentou recuar, mas seus pés pareciam presos ao chão.

A voz voltou, mais próxima:

Você teme a escuridão?

Ellie segurou a lâmpada.
Eu temo… mas vim mesmo assim.

A lâmpada brilhou fraca, uma centelha dourada pulsando dentro do vidro.

A Sombra recuou um passo.

Tolos os que desafiam o medo, rosnou a criatura , pois o medo é o que os mantém vivos.

Ellie respirou fundo.
Não. É o que nos impede de viver.

A chama cresceu, rompendo o nevoeiro ao redor.

A Sombra se desfez num redemoinho, e Ellie viu, pela primeira vez, o contorno das montanhas ao longe.

O céu não era preto.

Era azul-escuro, salpicado de estrelas.

Ela correu de volta à aldeia, gritando:

Existe céu além da névoa!

Existe luz!

Mas os moradores fecharam portas e janelas, assustados com o brilho que escapava de sua lâmpada.

Apenas o velho avô saiu à rua.

Então a chama voltou…  disse, com os olhos marejados.

E você a despertou.

Nos dias seguintes, Ellie voltou à colina,  todas as noites.

Cada vez que encarava uma Sombra-Viva, a lâmpada brilhava mais forte.

Até que, numa madrugada, o nevoeiro começou a se romper.

Primeiro sobre as casas, depois sobre os campos, até que o Sol nasceu, um disco dourado e tímido, como um milagre esquecido.

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A aldeia inteira saiu às ruas, atônita.

O medo havia se dissipado.

Ellie, coberta de luz, ergueu a lâmpada.

Não foi a lâmpada que trouxe o sol  disse o avô , foi a coragem de uma menina que ousou acreditar que ele ainda existia.

Moral da História:

 

A coragem não é ausência de medo, mas a escolha de agir mesmo quando ele existe.

Por que essa é a moral?

 

O medo é uma reação natural, ele protege, mas também aprisiona.

Ellie mostra que coragem é atravessar o medo, não negá-lo.

Ela não se tornou destemida; continuou com medo, mas caminhou mesmo assim.

E ao fazer isso, libertou não só a si mesma, mas todos ao seu redor.

A luz que ela acendeu representa o poder que cada pessoa tem de transformar a escuridão quando enfrenta o que teme.

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