No vilarejo escondido entre montanhas de neblina e bosques encantados, vivia Poppy, uma menina de doze anos, de cabelos castanho-avermelhados e olhos grandes que pareciam guardar segredos.
Ela sonhara um dia construir a ponte mais bonita do mundo — feita de cristais e luzes, uma Ponte de Estrelas — para ligar sua aldeia à Floresta das Estrelas, um lugar que apenas os contos antigos mencionavam.
Mas após dias de trabalho em vão, pontes que caíram antes de ficarem prontas e risadas cruéis dos vizinhos, ela desistiu.
É melhor não sonhar!
Murmurava, dobrando e guardando seus desenhos rasgados.

Numa noite sem lua, quando a vila dormia, um som suave cortou o silêncio: como o sussurro de um vento que conhecia seu nome.
Poppy olhou pela janela. No céu, uma luz azul descia lentamente, dançando como uma pena.
Ela seguiu o brilho até o campo e encontrou uma pedra azulada, pulsante e quente ao toque.
Uma voz ecoou, mas não pelos ouvidos — e sim dentro dela: — Você desistiu cedo demais. A Floresta das Estrelas ainda te espera.

Na manhã seguinte, algo mudou.
Poppy abriu a gaveta, tirou os projetos amassados e, com mãos trêmulas, começou outra vez.
Os primeiros dias foram difíceis. As peças caíam. O vento derrubava andaimes improvisados. A madeira rangia.
Alguns riram dela. Outros cochicharam.
Mas Poppy já não construía para agradar ninguém. Fazia porque o seu coração batia no ritmo da ponte.
Pedra por pedra, noite após noite, a estrutura ganhava vida — e um brilho suave começava a se espalhar pelo caminho.

Meses depois, numa madrugada em que o céu parecia um mar de diamantes, Poppy colocou a última peça.
A ponte não era apenas feita de cristal e madeira, mas de esperança, coragem e fé no impossível.
No fim da ponte, a neblina se abriu… revelando uma porta de luz.
A Floresta das Estrelas cintilava diante de todos, e agora ninguém duvidava de sua existência.
Mas todos sabiam que só havia um motivo para estarem ali: Porque uma menina que já tinha desistido… teve coragem de levantar todas as vezes que caiu.
